Por que as mulheres engordam mais?

Existe uma diferença na maneira de engordar entre homens e mulheres. A mulher tem mais gordura do que massa muscular, ao contrário dos homens. Na mulher, a gordura se localiza mais nos quadris, culotes e nádegas sendo conhecida como gordura em pêra. . Os homens normalmente possuem mais gordura abdominal, sendo conhecido como formato de maçã. O aumento de peso na região abdominal é mais diretamente associado com doenças cardiovasculares, hipertensão, derrame, infarto, diabetes e acidentes vasculares.
Em uma hora de atividade aeróbica forte contínua, um homem gasta, em média 800 calorias, e uma mulher, cerca de 600 calorias mesmo se tiverem a mesma altura, peso e idade. A testosterona (hormônio masculino) aumenta a massa muscular (que aumenta o metabolismo) e o homem possui mais massa muscular em relação à mulher. A mulher normalmente acumula mais gordura para que os hormônios femininos funcionem melhor, protegendo-a a fertilidade, mas isto tudo leva a uma diminuição do metabolismo.
Só para lembrar: metabolismo é a velocidade em que as células quebram os nutrientes dos alimentos para transformá-los em energia.
O que é a leptina?
É o hormônio da obesidade, sendo descoberto 1994 por Friedman. A leptina (do grego leptos = magro) é uma proteína secretada por adipócitos (células de gorduras) embora também possa ser encontrados (em poucas quantidades) no epitélio intestinal, placenta (funcionando com um fator de crescimento para o feto, por sinalizar o estado nutricional da mãe), leite materno, músculos esqueléticos, gástricos e cérebro.
A leptina age no sistema nervoso central (hipotálamo) promovendo redução de ingestão de alimentos, tendo um papel importante na queima de gordura. Quando engordamos, as células adiposas liberam leptina, que avisa ao cérebro que controle o apetite. A leptina envia uma mensagem para aumentar o metabolismo. Quando queimamos gordura, os níveis de leptina caem e o centro do cérebro responsável pela fome diz: “Coma”
A leptina está aumentada 2 a 3 vezes nas mulheres e principalmente nas obesas.
Durante a puberdade, existe uma diferença entre meninos e meninas quanto aos níveis de leptina. Um estudo realizado com crianças e adolescentes eutróficos mostrou que esta diferença tem início aos 5/6 anos de idade, quando as meninas já apresentam níveis mais elevados de leptina do que os meninos.
Nas meninas, os níveis de leptina aumentaram progressivamente de acordo com a idade, com o ganho de peso e gordura corporal, enquanto que, nos meninos, isso aconteceu até os 10 anos, ocorrendo uma diminuição progressiva após essa idade.
Com a descoberta da leptina, os cientistas, radiantes, imaginaram que haviam afinal achado a solução para quem fazia dieta. Infelizmente a deficiência extrema de leptina é muito rara. E por incrível que pareça, cerca de 85% a 90% dos obesos apresentam níveis mais altos do que o normal.
Resistência a leptina na obesidade
Em seres humanos obesos, quanto maior a quantidade de gordura, maiores os níveis de leptina circulantes.  Esse achado é paradoxal, já que níveis elevados de leptina deveriam diminuir o apetite e aumentar a queima de calorias. Sugere-se que, possivelmente, os indivíduos obesos apresentem resistência a leptina.
Estudos recentes demonstram que a leptina tenha dificuldade de alcançar o cérebro. Quando uma pessoa aumenta de peso, os níveis de triglicérides sobem, o que pode impedir a leptina de chegar ao cérebro, fazendo que a pessoa sinta fome, comendo mais irá acumular ainda mais gordura. Então os triglicérides bloqueiam a leptina.
Uma pessoa que apresenta resistência a leptina precisa de mais leptina para conter o apetite. Mas, quando as células de gorduras murcham, caem os níveis do hormônio. Essa queda provoca acessos de fome e torna mais lento o metabolismo. O cérebro reage como se estivesse diante de uma escassez de alimentos, economizando energia e compelindo-nos a comer, comer e comer. A cada quilo de gordura que se vai, fica mais difícil perder peso e assim se manter.
Termogênese
A termogênese é a energia gasta durante e logo após a alimentação, isto é: é o processo induzido por alimentos pelo qual o organismo transforma o excesso de calorias em calor, em vez de gordura. Representa 15 % dos gastos calóricos.
A termogênese é estudada desde a década de 60, mas só agora pesquisadores estão descobrindo como ele funciona. Ela é controlada pelo sistema nervoso simpático, ou adrenérgico, sendo um processo fisiológico normal, como a digestão.
A pessoa que tiver a termogênese diminuída tende a engordar. No nosso cérebro, temos um vigia atento, o hipotálamo, uma glândula que monitora a quantidade de calorias ingeridas. O hipotálamo é como se fosse um “inspetor” de calorias “. Quando elas surgem em número superior ao necessário, o hipotálamo envia um recado para que o excesso seja queimado. Se esse processo de termogênese funciona bem, você pode comer o quanto quiser sem engordar porque, em vez de gordura, seu corpo produzirá calor. Quando a termogênese não é ativada, a energia fica armazenada sob a forma de gordura.
Três fenômenos podem acontecer às calorias derivadas dos alimentos ingeridos;
1) elas podem ser usadas para satisfazer as necessidades de energia do corpo;
2) elas podem ser armazenadas como gordura branca; 
3) elas podem ser queimadas por células especiais do corpo conhecidas como Tecido Gorduroso Marrom, ou BAT (Brown Adipose Tissue).
Este último processo é chamado termogênese e significa geração de calor. A termogênese é um processo fisiológico normal, como a digestão. O propósito do BAT é queimar as calorias que o corpo não precisa. Tornar-se obeso, acontece principalmente quando o BAT não está trabalhando adequadamente e o corpo tem que armazenar o excesso de calorias como gordura.
Foi a descoberta de pequenas moléculas nas células de BAT conhecidas como proteínas desacopladoras (UCP). As UCP desacoplam a cadeia de eventos bioquímicos que, em outras células, são usados para transformar as calorias em energia para satisfazer as suas necessidades. Enquanto a quantidade de energia que uma célula normal pode usar é limitada, em grande extensão, pela energia atual que ela precisa, as células de BAT, devido à presença das proteínas desacopladoras, continuam convertendo calorias em calor na medida em que elas continuam sendo estimulados, e na medida em que o corpo tenha gordura branca para alimentar o sistema.
O aquecimento proveniente do metabolismo do BAT é simplesmente perdido; conforme o calor é gerado, irradia-se para fora do BAT, para os tecidos circunvizinhos. Como o fluxo de sangue pelo BAT é muito extenso, o calor é recolhido pelo sangue e rapidamente é levado para fora e dissipado em locais distantes do BAT.
A Pesquisa também demonstrou que, com o passar do tempo e sob o estímulo certo, aumenta a capacidade de queimar calorias. A estimulação do BAT aumenta a quantidade de proteínas desacopladoras e aumenta também o número de células de BAT; isto resulta em um aumento dramático na quantidade de calorias em excesso que podem ser queimadas e postas fora como calor pela termogênese. O aumento da termogênese estimula a produção de mais BAT e UCP, e o ciclo continua.
O pesquisador pioneiro da termogênese e das causas genéticas da obesidade, Arne Astrup da Universidade de Copenhague na Dinamarca, escreveu,: Em várias síndromes de obesidade em roedores a mediação simpatomimética (da termogênese) está defeituosa, e isto conduz a sensibilidade extrema ao frio e à obesidade … da mesma forma, a hipótese avançada de que uma termogênese diminuída no BAT pode ser a causa de alguns tipos de obesidade humana”.